viernes, junio 24, 2005

Carlos Barbarito. Sobre Un nuevo continente. Antología del surrealismo en la poesía de nuestra América.Un nuevo continente.

Projeto editorial, seleção e estudo introdutório: Floriano Martins.São José da Costa Rica: Andrômeda, 2004.

Os seletos são poetas de toda a América – desde da Argentina ao Chile, como dos Estados Unidos ao Canadá - e a seleção parece-me acertada e rigorosa. Assim, há uns espaços a César Moro, a Aldo Pellegrini, a Enrique Molina, a Philip Lamantia - a quem vi em livros tanto surrealistas como dedicado aos beatniks. Neste momento que me conteste Floriano Martins se estou equivocado, a influência do surrealismo é de tal magnitude que congregar toda poesia do continente, as recebidas, caberia em outros volumes. Cá, neste livro, absorvem-se todos os vértices: os mais valiosos exemplos, os mais significativos. Não poderia ser de outro modo.

Dentro do grupo argentino e ao lado de Molina e Pellegrini, estão Julio Llinás, Francisco Madariaga, Olga Orozco - com ela, mantive uma breve e enriquecedora amizade; e Alejandro Puga: a quem estou descobrindo graças a este livro. Apenas para ser mais abrangente, aos leitores estrangeiros e igualmente aos desavisados compatrícios, elenco alguns nomes: Carlos Latorre, Juan José Ceselli, Juan Antônio Vasco. Estes poetas conformam o núcleo mais próximo ao surrealismo, em suas pretensões e características, ainda que outros apresentem sinais surrealistas nos seus textos não se configuram como surrealistas. Dentre outros, Ernesto B. Rodríguez é mais neo-romântico, porém, afirma Graciela de Sola: o neo-romantismo é uma das formas da visão surreal.

Na Argentina, o surrealismo começou a se propagar pela década de 30. Inclusive, Antonio de Undurraga considera: há os autores que, embora não se possa chamá-los de surrealistas, aproximam-se da atmosfera onírica e supra-real - Alfonsina Storni, como exemplo argentino. Não devemos esquecer da leitura notória de García Lorca e de seu ainda inédito “Poeta em Nueva York” concluso em Buenos Aires. Em 1940, a irrupção do neo-romantismo, a qual César Fernández Moreno chama afluência romântico-surrealista, acolhe diversas formas e estilos e uma pluralidade de procuras que vão desde uma retórica filo-hispânica e simbolista com formas aproximativas ao ultraísmo. Orozco, Molina, Bosco, dentre outros compõem este grupo. Assim de alguma maneira vinculada ao surrealismo cita-se constantemente Oliverio Girondo e ainda Enrique Ramponi. Entretanto, com exatidão, o surrealismo argentino dá-se por volta de três publicações: Que (1928-1930), A partir de zero (1952-1956) e Boa (1958).

Estou feliz em ter este livro nas mãos. E por várias razões: o assunto das vanguardas sempre compôs minha paixão e dentre aqueles que trabalharam nesta publicação tenho amigos: Floriano Martins, Alfonso Peña, Fabio Herrera, Cláudio Willer. Contudo, o principal motivo é que esta edição – magnífica com certeza - confirma a sobrevivência de uma idéia, de uma mensagem, de um desejo, que continua sendo futuro, amalgamando sonho e realidade - realidade absoluta onde o maravilhoso é tudo. Findo estas lacônicas linhas com umas palavras de Breton: “... o maravilhoso é sempre belo, toda espécie maravilhosa é bela, e não há além do maravilhoso que seja belo”.

tradução:Andréa Santos

Publicado en: http://www.revistaetcetera.com.br/17/barbarito/p2.htm